Esterilização Pediátrica

Estudo comprova que a esterilização precoce previne doenças e aumenta a vida do animal.
Esterilização precoce, pediátrica, “pre-pubs”, todas se referem à esterilização de cachorros e gatinhos antes da idade considerada normalmente aceitável para estas cirurgias.
Anos atrás tínhamos como regra (arbitrariamente definida) que o ideal era que a cadela ou gata tivessem primeiro uma ninhada antes de serem esterilizadas. Machos sequer eram mencionados.
Com o tempo a classe veterinária começou a se aperceber que as fêmeas esterilizadas antes de terem a primeira ninhada tinham muito menor incidência de tumores mamários, e a recomendação então mudou para “antes de terem o primeiro cio”, que em média é aos 6 meses de idade. Machos ainda nada “Coitados, têm de se divertir” e “Não precisam pois não têm bebés e quem tenha uma fêmea no cio que a feche em casa ou no canil” pensamentos comuns de donos (geralmente homens) que antropomorfizam seus animais. E com certeza nunca viram cães ou gatos no acto sexual, pois pelo menos para mim, de divertido não tem nada.
Já há quase 30 anos os abrigos de animais norte-americanos se aperceberam que ao darem filhotes para adopção, raramente as pessoas os esterilizavam (entre 20 a 40% apenas, dependendo da pesquisa). Estes acabavam por se reproduzir e a piorar ainda mais o problema: o que era uma cachorrinha recolhida da rua dava lugar, 6 meses depois, a mais 8 ou 9 igualmente ao abandono. Assim começaram a esterilizar ANTES da adopção, animais entre 6 e 8 semanas de idade.
Depois destes anos todos, milhões de cachorros e gatinhos depois, verificou-se que efeitos colaterais eram mínimos e as vantagens muitas. Mas ainda assim a classe veterinária continuou a impor questões. Por isso vários estudos foram conduzidos em animais submetidos à esterilização com menos de 5 meses, e a conclusão que chegaram foi a seguinte:
– animais esterilizados antes da maturidade sexual vivem mais;
– há uma redução acentuada nos casos de cancro, especialmente mamário;
– prostatite, tumores perianais, cancro testicular, hérnias perianais, cistos ovarianos, tumores ovarianos, tumores uterinos e piometras são exemplos de problemas médicos comuns que após a esterilização não ocorrem, ou em muito baixa incidência;
– há agentes anestésicos e protocolos anestésicos que são bem documentadas para animais desde as 6-8 semanas de idade;
– animais jovens recuperam muito mais rapidamente de uma cirurgia devido a sua alta taxa metabólica, menor sangramento durante a cirurgia e necessitam de uma incisão muito menor;
– há ainda evidências crescentes de que a castração precoce tem efeitos positivos na socialização e comportamento em muitos animais;
– fisiologicamente crescem por mais tempo, sendo ligeiramente maiores – o que é até benéfico para raças grandes pois os problemas ósseos são provocados pelo crescimento muito rápido dos ossos;
– em adultos tendem a ser mais magros que os animais esterilizados mais velhos.
Sendo assim, a esterilização precoce passou a ser apoiada pela American Veterinary Medical Association, American Animal Hospital Association, California Veterinary Medical Association, além da American Humane Association e muitas outras associações veterinárias e de bem-estar animal de todo o mundo.
Pessoalmente já fazemos aqui na Cãofraria as esterilizações em filhotes há anos, mas como ainda se cultiva o mito de que os animais têm de ter uma idade mínima, ou ter o cio, uma ninhada, etc, muitas vezes os proprietários ficam indecisos em esterilizar seus filhotes aos 4, 5 meses.
Esqueçam os mitos, vejam os factos.
Esterilize machos e fêmeas. Estará a prolongar a vida de seu animal, com mais saúde, melhor comportamento e é uma forma de controlo populacional.
E o faça assim que termine o protocolo de vacinação, pois a vacinação está em primeiro lugar!